Divulgado nesta
quarta-feira, 01/07, certo relatório assevera que a desproporção de
perdas entre russos e ucranianos, outrora flutuante entre o duplo e
o triplo no decurso da guerra, alçou-se à estimativa de 8 para 1 no
primeiro semestre de 2026. Tal inflexão deriva do aperfeiçoamento
bélico da Ucrânia no domínio dos drones não tripulados.
Segundo
o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, CSIS, sediado em
Washington, a Ucrânia dilatou sobremaneira as perdas impostas às
tropas russas nestes últimos meses. O feito assenta-se, por
causa da multiplicação e no refinamento dos seus drones de combate.
Sustenta-se que o recente recrudescimento provém dos progressos
ucranianos em seu programa de drones voadores, na aptidão de alargar
a chamada “zona de morte”: faixa circundante às linhas de frente tão
infestada de aparelhos que torna quase impraticável a incursão de
tropas russas.
Contribui ainda para o êxito ucraniano, a suspensão momentânea, por
desígnio imprevisto de Elon Musk, do serviço de internet via
satélite Starlink às forças russas. Consoante o estudo, a
providência embotou, posto que brevemente, a fúria dos assaltos por
drones e desanuviou os movimentos das legiões de Kiev. Do ofício
kamikaze.
O
emprego de tais aeronaves, entre as quais se conta a linhagem Shahed,
mira saturar as linhas avançadas e aniquilar redutos, peças
antiaéreas e vias de abastecimento, poupando o reencontro corpo a
corpo. “A defesa em profundidade praticada pela Ucrânia tem-se
mostrado eficaz em matar e mutilar soldados russos, bem como em
diminuir a mobilidade da Rússia”, anotaram os peritos.
Tornaram-se mais
assíduos os golpes ucranianos com drones e mísseis, alcançando
cidades russas, inclusive Moscou. No mês passado, desfechou Kiev o
seu mais vasto ataque por drones contra a capital desde o início da
guerra. Nesta semana, novas arremetidas feriram Moscou e a Crimeia,
península anexada pela Rússia em 2014. Ainda que se tenha o Centro
por instituição de crédito, os algarismos de baixas não logram
verificação independente. Com 2 milhões de baixas somadas, a guerra
na Ucrânia já haveria excedido, em vidas ceifadas, a Batalha de
Stalingrado, tida por muitos como a mais sangrenta da História.
A guerra entre Israel e
o Hezbollah acirrou-se com o uso, pelo partido libanês, de drones
kamikazes atados por cabos de fibra óptica. Tal artifício os exime
da guerra eletrônica e os torna arduamente detectáveis. Por
prescindirem de ondas de rádio, furtam-se ao bloqueio e à
localização, restando às tropas escassos segundos para buscar
abrigo.
Desde março,
multiplicou-se o emprego de drones FPV, de “visão em primeira
pessoa”, que entregam ao piloto imagem viva do alvo. Vários soldados
israelenses tombaram sob tais investidas; muitos outros ficaram
feridos. Ante a evolução que de há muito se antevia, causa
estranheza que as forças de Israel não se achem mais aparelhadas.
“Exércitos aprestados para grandes guerras defrontam-se, súbito, com
desafios inauditos”, observa Neri Zin, perito em ingenhos aéreos e
diretor da startup de defesa Axon Vision.
O Hezbollah tem dado
primazia aos FPV guiados por fibra óptica, imunes à interceptação
eletrônica e de difícil detecção. Efeitos no teatro de operações.
Informes de inteligência militar indicam que golpes com tais
aparelhos produziram diversas baixas em ofensivas recentes ao norte
de Israel. O recurso aos drones kamikazes traduz estratégia de
confronto assimétrico, a permitir golpes precisos com menor
exposição de combatentes.
O Irã aposta nesses
drones, como o Shahed-136, empregado em ataques de saturação contra
sistemas antiaéreos. Analistas acreditam que dezenas de milhares
foram manufaturados antes da guerra, e sua técnica já se exportou a
outras regiões. Não há média universal do número de militares mortos
exclusivamente por drones kamikazes.
Por operarem em guerras
de atrito e combates desiguais, como na Ucrânia e no Oriente Médio,
os boletins de baixas não discriminam óbitos por drones, projéteis
ou estilhaços. Quatro óbices embaraçam a estatística precisa:
Soma de danos: as mortes por drones confundem-se nas baixas
gerais de campanha. Sigilo de Estado: os governos
mantêm reserva militar sobre as próprias perdas. Mapeamento do
campo: agências de inteligência contabilizam engenhos
destruídos, não o número de homens que lhes estavam próximos ao
impacto. Natureza visual dos embates: filmagens de FPV
assaltando trincheiras, carros e soldados isolados correm o mundo,
mas o êxito e o óbito confirmado variam a cada surtida.
Não importa como seja;
as guerras travadas entre homens e drones, são injustas, visto que
tais equipamentos, usam táticas furtivas, com as quais eliminam
oponentes sem mesmo perceberem que estão sendo atingidos e
explodidos por tais equipamentos.
Infelizmente, vivemos em
um mundo em que a sabedoria humana é usada para requerer desejos
ambiciosos e egoístas, e não para curar doenças e resolver a fome
mundial, por exemplo.