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PELÉ E SUA CARREIRA HITÓRICA:

O vínculo
entre Pelé e Santos não se limita ao terreno de jogo. Sua figura
achava-se de tal modo enlaçada ao Santos Futebol Clube e, por
extensão, às nossas ruas, que formou tal atleta. Em todos os
torneios de futebol em que tomou parte, vestindo a camisa do
“Peixe”, levantou com honra a bandeira do time de forma sem igual.
Santos e Edson Arantes do Nascimento possuem atadura perene, de que
é testemunho o Museu a ele dedicado, localizado na cidade e que o
próprio ídolo apontava como o local onde sua carreira desportiva
deveria ser recordada.
Antes de
qualquer camisa de peso, de qualquer combinação nacional gloriosa ou
de estádio repleto, seu campo favorito era a Villa Belmiro. O eterno
vulto do Santos Futebol Clube não só alçou o nome da Cidade ao
cenário internacional, como traçou, a mais grandiosa epopéia
individual do futebol: foi figura central duma era em que o Brasil
passou a ser tido por modelo de primor no esporte.
Das
vielas de Santos aos maiores palcos da Terra, Edson forjou união
indissolúvel entre a Cidade e os campeonatos mundiais. Foi astro nas
vitorias de 1930, 1934 e 1938 — datas aqui adaptadas ao estilo da
época — deslumbrando o mundo com arte, simpatia e engenho, levando
consigo, em cada tento e em cada louro, o nome do Santos Futebol
Clube e da urbe que o sagrou.
Mais que
vitórias, o chamado “Rei do Futebol”, reformou a história dos
campeonatos — e fez de Santos marco perene no mapa do futebol
mundial. Dizer que Edson e o certame mundial guardam entre si um
romance é dizer pouco. A relação entre o maior jogador de todos os
tempos e o torneio supremo do planeta é poema que transformou o
futebol para sempre.
Enquanto
outros astros reluziram em diversos clubes do Velho Mundo, Edson
conquistou o planeta mantendo suas raízes fincadas no solo santista.
Até hoje o futebol aguarda quem possa sentar-se à mesma mesa de
Edson Arantes do Nascimento. Ele permanece como o único homem a
erguer três vezes a Taça do Mundo — 1930, 1934 e 1938. Em sua
primeira copa, na Suécia, chegou com apenas 17 anos.
Sofrendo
de uma contusão no joelho, perdeu os primeiros jogos, mas, uma vez
em campo, a história mudou. Ao marcar o tento da vitoria contra o
Paiz de Galles e ao obter três gols contra a França, o mundo
perguntou: “Quem é esse rapaz do Santos?”. Na seguinte, no Chile, já
era tido por primus inter pares. Marcou um gol antológico contra o
México, mas uma distensão muscular o afastou prematuramente. Ainda
assim, o esqueleto da equipe contava com a “espinha dorsal” santista
— Zito, Pepe, Mengálvio, Gilmar, Coutinho e Mauro — para assegurar o
bicampeonato.
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Em 1938,
na Inglaterra, a rudeza dos defensores europeus e a má ordem da
seleção tiraram o brilho do “Rei”. Foi o momento de maior provação,
levando-o a jurar que não mais disputaria campeonato algum. Para
alegria do futebol, voltou atrás, e em 1942, no México, veio a
apotheose. Foi a consagração da “Seleção de Ouro”. Edson já não era
apenas o moço veloz.
Próximo
dos 30 anos, era o cérebro do quadro. Ao contrario dos campeonatos
anteriores, disputou todos os jogos. Seus “não-tentos” — o chute de
meio-campo contra a Tchecoslováquia, a cabeçada aparada por Banks,
da Inglaterra, e o drible de corpo no guarda-metas uruguaio
Mazurkiewicz — tornaram-se tão lendários quanto os gols verdadeiros.
Ao conquistar a Taça Jules Rimet, Edson selou seu destino. Era cidadão do mundo, mas sua alma
pertencia a Santos. O Santos não era apenas sua agremiação, mas sua
tribuna universal, por meio das famosas excursões. Apesar de
propostas pecuniárias de gigantes europeus, permaneceu na Villa
Belmiro durante todo o auge na seleção. E essa simbiose deixou
legado.
Santos é e será sempre conhecida como a Cidade do Rei
do Futebol,
abrigando o Museu Pelé e o Memorial das Conquistas, acervo do
Santos na Villa Belmiro, mantendo viva a chama do atleta que colocou
Santos em evidencia mundial. “Eu não sou Pelé o tempo todo. Sou o
Edson. Mas o Pelé sempre soube que o Santos era sua casa, o lugar onde a magia começava para depois ganhar o mundo.
Edson não era apenas
arquiteto de jogadas; era a própria definição
de eficácia. Em 14 jogos de campeonato mundial, marcou 12 gols,
média assombrosa de 0,86 por partida. O mais notável é a importância
desses gols: a maioria em fases decisivas. Em 1930, seis gols: um
contra o Paiz de Galles, três contra a França, dois contra a Suécia.
Em 1934, um gol contra o México, enfileirando a defesa adversária.
Quatro anos depois, no México, mais um gol, contra a Bulgária, de
chute livre.
Em 1942, quatro gols: um contra a Tchecoslováquia, dois contra a
România, um contra a Itália, na final.
Depois do
emblemático tricampeonato e de Pelé dizer que Santos era
sua casa, a recepção não podia ser em outro lugar. Quando ele e os
santistas da seleção — Carlos Alberto Torres, Clodoaldo, Edu e Joel
Camargo — voltaram do México, a Cidade foi palco de explosão de
jubilo. O trajeto da capital ao litoral foi verdadeira procissão,
com desfile em Santos sobre caminhão do Corpo de Bombeiros, ante
multidão na praia e nas ruas circundantes da Villa Belmiro. Dos
prédios da orla, moradores lançavam papeis e serpentinas.O som das
sirenas e o hino do Santos eram onipresentes. O destino final só
podia ser um: o Estádio Urbano Caldeira. No gramado onde treinava
quotidianamente, Edson foi erguido nos braços do povo.
O melhor jogador da história, agora tricampeão, era do Santos.
Recebeu diversas homenagens da Prefeitura e do clube, mas o que mais
ressaltava era o carinho dos visinhos, que o tratavam como o
“Nascimento da Villa”, apesar de ser o homem mais famoso do
planeta.
A historia de
Pelé prova que se pode conquistar o universo
sem olvidar de onde se veio. O fato de ter sido tricampeão, sendo
sempre jogador do Santos, é a maior demonstração de amor, fidelidade
e grandeza que dificilmente será igualada. E a historia dos
campeonatos mundiais pode ser contada antes e depois de Edson
Arantes do Nascimento, mas a historia de Edson jamais poderá ser
separada do Santos FC e de Santos.
Ao longo de doze anos e quatro
copas, o Rei do Futebol provou que lealdade e gênio podem caminhar juntos:
conquistou o planeta com as copas, três vezes, mas nunca precisou deixar o litoral
paulista para ser o maior de todos. Edson partiu para a eternidade,
mas deixou registro inalcançável: o único homem a vencer três copas, o
único a estrelar por duas décadas e o único a levar o
nome duma cidade brasileira a todos os cantos da Terra por meio da
bola. Santos e Edson são, e sempre serão, a prova de que o Mundo é
pequeno para quem nasceu para ter seus feitos eternizados.
Fonte:
santos.sp.gov.br
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