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 Jornal Rede Metrópole Litoral: 01/06/2026

 Vídeos: Reprodução Internet

         

 

 

LULA FICA TRISTE PORQUE EUA CLASSIFICARAM PCC E CV COMO INSTITUIÇÕES TERRORISTAS:



 

 

 

     Nesta sexta-feira, 29 de maio, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, declarou que não consentirá que o Brasil seja tido por “republiqueta”, ao comentar a decisão dos Estados Unidos de designar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como entidades terroristas. “Não toleramos ser tratados quais moleques. Não toleramos ser tratados como republiqueta”, afirmou Lula durante solenidade realizada em Sergipe.

     O pronunciamento harmonizou-se com nota igualmente divulgada pelo Governo Federal na mesma data. O documento sublinha que “a soberania nacional é inegociável” e que “quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança”. No discurso, o Presidente manifestou ainda sentir-se “triste” com a deliberação do governo norte-americano. Asseverou haver entregue ao Presidente Donald Trump, em visita à Casa Branca no início do mês, documento versando sobre providências para o combate ao crime organizado.

         

 

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     O Governo brasileiro sempre se opôs à classificação adotada por Washington, sustentando que esta poderia pôr em risco a soberania nacional ao franquear espaço a ações militares dos Estados Unidos sob pretexto de combater o terrorismo. Lula ponderou que o PCC e o CV “são terroristas para as comunidades brasileiras”, mas “não são os terroristas que o senhor Trump deseja”. Acrescentou: “Eles incomodam as famílias, o bairro, a cidade, roubam tudo quanto é direito do povo, o direito do povo viver livremente. Portanto, são terroristas. E havemos de combatê-los aqui dentro”.

     A nota oficial argumenta ainda que a violência praticada pelas facções “não se pode confundir com o tipo de ação por motivos ideológicos, políticos e religiosos do terrorismo internacional”. No palanque em Sergipe, o Presidente comentou também o encontro ocorrido três dias antes entre o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, e o Presidente Trump. Na audiência, Flávio defendeu que o governo norte-americano classificasse as facções como terroristas, bandeira sustentada há mais de um ano por partidários do bolsonarismo, inclusive por Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente residente em solo americano.

     Dois dias após a visita de Flávio, o Secretário de Estado americano, Marco Rubio, anunciou a classificação dos grupos criminosos como terroristas.“O senhor Rubio não esteve lá, na reunião comigo, possivelmente porque estivesse preparado para auxiliar o filho de um bolsonarista que é candidato à eleição neste país, que não tem pejo de trair a nossa pátria, de ir aos Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil”, declarou o Chefe do Executivo. A nota do Governo igualmente faz menção a “traidores”. “A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos.

    Diz o texto. “É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país. ”Lula sustentou que o combate ao crime organizado pelos Estados Unidos deveria dar-se pela entrega “dos terroristas brasileiros” que lá se encontram. “Sabe as armas importadas que são contrabandeadas para o Brasil? Vêm dos Estados Unidos”, disse, ao realçar a aprovação do projeto de lei Antifacção. Por fim, o Presidente mencionou a situação de Alexandre Ramagem, ex-chefe da inteligência brasileira durante o governo Bolsonaro, que se evadiu para os Estados Unidos, e de Ricardo Magro, empresário controlador do Grupo Refit, suspeito de vínculos com o PCC e apontado como o maior sonegador de impostos do Brasil.

     Após a repercussão do discurso em Sergipe, Flávio Bolsonaro divulgou gravação em que assiste à fala do Presidente. Criticou a expressão “nossos criminosos”, empregada por Lula ao afirmar que Trump não deveria imiscuir-se na política de segurança do país. “A soberania que defendemos é a do povo brasileiro, das 50 milhões de pessoas que vivem sob o domínio desses narcoterroristas”, disse o senador, acusando o Presidente de “defender esses marginais em vez de defender as vítimas deles”. A discussão em torno da classificação do PCC e do CV como terroristas prolongou-se por mais de um ano, com avanços e recuos.

     Do lado do Governo brasileiro, além do argumento relativo ao risco à soberania, alegava-se que a medida contrariaria a legislação pátria. De outra parte, o grupo liderado por Flávio Bolsonaro defendia publicamente a medida há mais de um ano, apontando a posição contrária do Governo Lula como suposta demonstração de conivência da administração petista com o crime organizado. O Governo brasileiro jamais considerou o assunto encerrado na administração Trump, dada a imprevisibilidade do Presidente norte-americano, segundo assessores de Lula.

     Durante sua estada nos Estados Unidos, Flávio afirmou haver defendido, perante toda a equipe de Trump, que o país adotasse a medida contra as organizações criminosas brasileiras. Antes da viagem do senador, interlocutores do Presidente Lula afirmavam, em caráter reservado, que o Governo interpretaria um anúncio da administração Trump considerado negativo como possível ingerência no processo eleitoral do Brasil, e que responderia à semelhança do ocorrido durante o tarifaço de 2025.

     A idéia de impor sanções contra organizações criminosas brasileiras, tratando o PCC e o CV como entidades terroristas, era estudada pelo governo norte-americano há vários anos.
 

 

 

           

 

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