A
tripulação da Artemis 2 está oficialmente a caminho da Lua em uma
missão histórica de 10 dias, que marca o retorno do ser humano à
órbita lunar após mais de 50 anos. O lançamento do foguete que leva
a cápsula Orion 2 ocorreu nesta quarta-feira (01/04), às 19h35, a
partir do Centro Espacial Kennedy, em Cabo Canaveral, na Flórida.
"Que vista incrível", disse o comandante da missão, Reid Wiseman,
logo após a decolagem. "Estamos vendo um belo nascer da Lua."
Além de
Wiseman, a missão transporta outros três astronautas: Victor Glover
e Christina Koch, da Nasa, além de Jeremy Hansen, da Agência
Espacial do Canadá. Eles não vão pousar na Lua, mas orbitá-la,
chegando mais longe da Terra do que qualquer ser humano já esteve.
Ao longo
do trajeto, serão percorridos mais de 800 mil quilômetros pelo
espaço. Em entrevista coletiva na noite desta quarta, o
administrador da Nasa, Jared Isaacman, disse que as etapas iniciais
da missão ocorreram conforme o planejado e que os astronautas estão
"seguros, protegidos e em ótimo estado de espírito". Isaacman também
destacou a importância do momento e afirmou: "Após um breve
intervalo de 54 anos, a Nasa está de volta ao negócio de enviar
astronautas à Lua".
Na hora
que antecedeu a decolagem, foram detectados problemas que chegaram a
ameaçar o lançamento, relacionados ao sistema para abortar a missão.
Foi o mecanismo que permite aos engenheiros da Nasa ejetar os
astronautas e destruir o foguete em caso de falha. A contagem
regressiva de 10 minutos foi mantida, enquanto os engenheiros
trabalhavam na solução — que foi resolvida rapidamente. Neste
momento, parte da equipe compartilhou mensagens sobre o significado
da missão: "Estamos indo por nossas famílias", disse o piloto Victor
Glover. "Estamos indo por nossos colegas de equipe", afirmou
Christina Koch. "Estamos indo por toda a humanidade", declarou
Jeremy Hansen.
Em
seguida, foram feitas as checagens finais dos sistemas críticos do
foguete. Um a um, os responsáveis confirmaram que tudo estava pronto
para o lançamento, com respostas como "Booster, go", "GNC, go" e
"Range, go". "Artemis 2, aqui é o diretor de lançamento — vocês
estão autorizados para a decolagem", informou o controle da missão.
"Vamos por toda a humanidade", respondeu o comandante Reid Wiseman.
Logo depois, os quatro motores RS-25 e os dois propulsores laterais
de combustível sólido foram acionados, gerando uma grande coluna de
fogo.
Assim
que a Artemis 2 iniciou sua órbita ao redor da Terra e com as
verificações de equipamentos concluídas, logo coube aos astronautas
dormir; uma tarefa nada fácil, segundo um professor de engenharia
aeroespacial. "Não é tão simples dormir lá em cima. Você precisa se
amarrar em um saco de dormir e se prender à parede com velcro",
explicou Kevin Fong, professor de engenharia aeroespacial da
University College London, em entrevista à BBC Radio 4 - Isso sem
contar a adrenalina circulando pelos corpos dos quatro astronautas
orbitando a mais de 48 mil quilômetros acima da Terra.
Nesta
quinta-feira (2/4), começa a preparação para a manobra de injeção
translunar, um grande impulso que lançará a missão para fora da
órbita da Terra, em direção à Lua. Se tudo correr conforme o
planejado, a manobra durará seis minutos, enviando os astronautas em
uma trajetória ao redor da Lua que também utiliza a gravidade lunar
para impulsioná-los de volta à Terra. A missão deverá percorrer
10.299 km além do lado oculto da Lua, que está sempre voltado para o
lado oposto ao da Terra, o que deve ocorrer na segunda-feira (6/4).
Os astronautas serão os primeiros a observar algumas áreas do lado
oculto da Lua, embora sondas de países como Índia e China já tenham
documentado essa região.
A missão lunar de ida e volta irá durar pouco mais de
10 dias. O número é incerto porque depende da hora exata do
lançamento e das posições relativas da Terra e da Lua. A viagem até
a Lua deve durar cerca de quatro dias. Nesse período, os astronautas
realizarão testes e simulações de emergência, incluindo
procedimentos para enfrentar uma possível tempestade de radiação
solar.
A Orion
irá se voltar em direção à Lua para obter as melhores imagens. A
tripulação terá três horas completas dedicadas à observação lunar.
Os astronautas poderão olhar, tirar fotos e aprender mais sobre sua
geologia, o que ajudará a planejar futuros pousos na Lua. Após esse
sobrevoo, a Orion fará pequenos ajustes de trajetória para alinhar o
caminho de volta.
Cerca de
quatro dias depois, a cápsula se separa do módulo e inicia o retorno
à Terra. Na reentrada, a nave atinge a alta atmosfera em grande
velocidade, com o escudo térmico suportando temperaturas extremas
geradas pelo atrito.
Por fim,
para-quedas são acionados para desacelerar a cápsula, que deve
pousar no Oceano Pacífico, onde equipes da Marinha dos Estados
Unidos estarão prontas para resgatar a tripulação. A primeira viagem
ao espaço profundo – muito além da órbita da Terra — desde 1972,
oferecerá visões deslumbrantes da Lua e novos conhecimentos sobre o
ambiente lunar.
Ela também abrirá o caminho para novos pousos no nosso satélite
natural e, eventualmente, uma base lunar — nosso primeiro passo para
aprendermos a viver em outro mundo.
A viagem
ocorre em um momento crucial da Presidência do americano Donald
Trump. Os Estados Unidos estão profundamente divididos em temas que
vão dos ataques americanos em curso no Irã à imigração e economia.
Assim, uma bem-sucedida missão Artemis pode dar impulso ao governo
Trump.
Os
benefícios potenciais são grandes: uma vantagem competitiva em
relação à China, a possibilidade de uma corrida por recursos lunares
e um raro momento de unidade nacional. Oficialmente, a missão — que
levará a tripulação mais longe no espaço do que qualquer pessoa já
foi — é um passo intermediário, segundo a Nasa (agência espacial
americana), rumo a uma base lunar permanente e, eventualmente, ao
planeta Marte.